Nestes 43 anos de profissão, já recebi todos os rótulos possíveis e imagináveis. No início da carreira, meu defeito era ser muito jovem, motivo pelo qual fui preterida numa promoção aos 22 anos, no primeiro emprego em veículo de comunicação. Foi ótimo, porque poderia ter me acomodado.
Depois passei a ser “muito ousada”, porque meu chefe Luiz Figueredo me deu o desafio de escrever uma coluna dominical no espaço de ninguém menos que Carlos Castello Branco, o Castellinho, cujo texto só chegava sábado à tarde e nosso jornal rodava pela manhã. Naquele latifúndio, escrevia o que pensava aos 26 anos. No dia em que citei Germinal, durante a greve de professores no governo Pedro Simon, virei inimiga do governo. Pela biografia de Simon, os secretários e assessores não admitiam críticas.
Depois, conforme mudavam os governos, me rotulavam de petista ou de neoliberal. De esquerdista ou de tucana ou de coxinha. Leonel Brizola uma vez me chamou de cobra, numa carta que não sei onde posso ter guardado.
Tenho saudade do tempo em que a polarização era entre o PT e o PSDB e os protagonistas da política rotulavam os jornalistas com teses típicas de intelectuais. Ora eu era defensora do Consenso de Washington, ora gramscista. E eu, que não gosto de extremos, me divertia.
Nas jornadas de 2013, os jovens que eram “contra tudo” em suas pautas difusas me desprezavam por ser muito conservadora. Afinal, eu criticava protesto que tranca rua, discordava da invasão de prédios públicos e chamava de vândalo quem incendiava contêiner de lixo.
Nos últimos anos, com as redes sociais, o respeito foi ficando no esquecimento. Não basta divergir, é preciso ofender ou achar que ofende. Em vez de argumentar, preferem insultar. Dá uma certa pena de pessoas como um certo Valdir, cujo sobrenome vou preservar, que quase todos os dias manda um e-mail. Em vez de contestar a coluna, prefere me chamar de “velha” e de “bruxa”. É muita pobreza de repertório. Ou o Rubens, que esses dias desejou que eu viva muito "para sofrer bastante".
Se eu ligo? Claro que não. A maioria dos eleitores é educada, faz críticas que me levam a refletir. A gente aprende com as divergências. É para esses que escrevo. Não sei se um dia aprenderemos todos a divergir sem brigar, mas é o que desejo às futuras gerações de jornalistas e de cidadãos.
Esta dica é do colega Pedro Garcia, que faz a edição da coluna diariamente em Zero Hora:
O próximo sábado, dia 16, será de música na Redenção. Com oito atrações, o Porto Blue Sound desembarca na Capital para um festival de jazz e blues. O evento, que começa de manhã, às 11h, e se estende até o início da noite, tem entrada gratuita. A produção confirma a realização do festival mesmo em caso de chuva. Também é possível reservar uma canga, disponibilizada pela organização do evento, em alguma parte do gramado do Parque Farroupilha para acompanhar os shows. Os detalhes estão no Instagram do Porto Blue Sound.
NO CÉU DA PÁTRIA NESTE INSTANTE
Esta é uma dica do Henrique Ternus, que trabalha comigo na coluna:
Na quinta-feira (14), estreia nos cinemas o documentário No Céu da Pátria Neste Instante
, que detalha as tensões políticas que marcaram o Brasil durante o período eleitoral de 2022 — e cujo resultado foram os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro. O filme promete uma análise aprofundada das narrativas paralelas, desinformação e ameaças à democracia por meio do olhar de personagens de diversas regiões do Brasil e ideologias diferentes. A produção é da Ocean Films, com coprodução de Marola Filmes, Kiwi Filmes, GloboNews, Globo Filmes e Canal Brasil. O documentário tem ainda o apoio do BRDE e é realizado por meio da Lei Aldir Blanc, por meio do ProAC do governo do Estado de São Paulo.
PARA ACOMPANHAR EM GZH
A coluna está atenta aos pedidos de punições contra os 14 parlamentares baderneiros (dois gaúchos) acusados de obstruírem os trabalhos da Câmara dos Deputados. A Corregedoria da Casa tem até o dia 13 para se manifestar.